terça-feira, 22 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
POVO TAMBÉM É FLORES
- Engraçado não ter plantas, flores, por cima do caramanchão ...
- No passado, isso aqui era assim (faz o gesto da mão cheia,
com dedos piscando), tapado de rosas...
com dedos piscando), tapado de rosas...
- E o que houve então ?!
- Os casais começaram a fazer... (faz gesto obsceno com as mãos )...
-Pobres plantas!
PS Fui secretamente fazendo a tecitura dos cachos das trepadeiras que jaziam inertes, quase sepultas, em jarros de cimento vizinhos às colunas nuas do caramanchão sem flores do Garanhuns. Para que eles de cachos se fizessem tranças e, fortes, pudessem se agarrar com os outros cachos virados tranças, dando voltas em torno das colunas nuas do caramanchão sem flores do Garanhuns. No início, pensei eu estar plantando o caos, induzindo os fios ao canibalismo e à morte, mas logo nas primeiras semanas, eu... EU, esse jardineiro sem nenhum estudo ou experiência, fruto do acaso, da necessidade e do acidental, pude ver que pequenas florações de rosas botavam à frente, um verde novo e fresco anunciava alguns centímetros de crescimento nos ramos novos, e o vento, nem ninguém, desfizera as minhas incertas amarrações de fios pelas colunas nuas do caramanchão sem flores do Garanhuns. Visitando o local do crime posso dizer que minhas meninas estão cada vez mais robustas (até a mais acanhada das criaturas, talvez a que mais tenha sofrido com o descaso público, e a concorrência de plantas hospedeiras, parece querer dizer "sim" à vida), já bem mais adiantadas vão do que quando eu tirei essas fotos. Fiz as fotos porque pra mim era como se as minhas meninas tivessem saído da UTI, uma delas forte e revigorada dando um aperto fraternal numa das colunas seminuas do caramanchão (quase) sem flores do Garanhuns.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
| Seu Eli, dono de um saber, senhor de uma arte |
O (TALVEZ) ÚNICO,
O (TALVEZ) ÚLTIMO
ALFAIATE DO GARANHUNS
- Faz tempo que o senhor trabalha aqui?
- Nesse ponto, 23 anos...
- Vai parar quando?
- Só largo isso aqui quando eu morrer!
- Por quê ?
- Porque alfaiate novo não tem mais não!
PS Gosto dos domingos. Domingos são dias tampões. Eles separam um sábado sujo de uma segunda-feira mais suja ainda. Garanhuns é assim, a semana toda a cidade vive entullhada de lixo, carros estacionados sobre as calçadas, trânsito mortal de motos, camêlos vendendo de um-tudo em todos os lugares - verdadeira sucursal do inferno. A coisa piora quando se toca para a parte mais antiga do centro. Aparenta ser 'mais antiga' ainda que se adivinhe sucessivas descaracterizações, e também o gigantismo e o desordenamento das placas comerciais não deixem nada se desnudar nas fachadas dos prédios para se fazer o tira-teima sobre a velhice do lugar; mas o fato de não haver sofrido do rompante Haussmaniano da alargada Avenida Santo Antonio confere àquelas ruazinhas apertadas e meio indecisas próximas ao mercado o status de velharia pública. Mas só aos domingos elas são agradaveis de andar, quando todo o povo decidiu por bem ficar em casa, e só alguns sobreviventes bêbados, "sobreviventes" moradores e mais os sentinelas de sempre - cachorros vivendo em estado de total abandono, matilhas inteiras - dão o ar da graca, a meu ver, por inteiro. Durante a semana eles provavelmente fiquem num estado de interrupcão, de sono, de descuido de si... Foi um domingo que me trouxe a visão da plaquinha do seu Eli, anunciando seu trabalho, e a curiosidade me abateu por 24 horas, já que a portinha singela debaixo da plaqueta estava fechada e eu fiquei acanhado de me anunciar para ninguém. O resto da estória você pôde ter intuído daqui...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
| IMPRENSA MARROM: RAPAZ SALVA CACTO DA MORTE! |
MANDACARU QUANDO
FULORA NA SECA
- Há muito tempo você mora aqui?
- Uns 36 anos, quer dizer, vai fazer 37.
- E a estória dela (da cactácia)?
- Passei de moto e a vi jogada num entulho,
a uns 2, 3 quarteirões do trabalho.
a uns 2, 3 quarteirões do trabalho.
-E?
-Decidi cuidar dela...
PS É impressionante o número de pessoas que se voluntaria para cuidar de animais no Brasil e mundo afora. Elas os retiram das ruas, os alimentam, providenciam cuidados veterinários e organizam feiras de adoção para que novas pessoas se reafeiçoem ao cão ou gato que foi abandonado. Parece que temos muito pouco disso em Garanhuns, ainda que eu saiba de almas que alimentem cães abandonados em nossas ruas. Eles, os cães abandonados, são muitos. Sabia também da existência de guardiões de plantas, e de pessoas que se voluntariavam para cuidar de pequenos jardins em praças, mas eu não me dava conta da importância de divulgar esses pequenos atos de civilidade e respeito antes que eu próprio começasse a (tentar) praticá-los, numa situação um tanto quanto diversa da apresentada. E parece que quando a gente se abre pra uma coisa toda uma nova dimensão se abre junto e aos poucos você vai travando contato com esses heróis anônimos que nem salvam o mundo nem o dia, mas não deixam de, em doses homeopáticas, fazer e espalhar o bem. O bem é contagioso?
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
EM DETALHE: LUMINÁRIA NA SACADA DO PALÁCIO CELSO GALVÃOE VEJO FLORES EM ... |
Quem passava pela manhã ainda podia ver as flores meio ressaquiadas no palanque que continuava armado ao dia dos primeiros trabalhos do prefeito eleito. Embalado pelo dizer de um ditado chinês, ' fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas', espera o povo que as mãos da véspera, aquelas que receberam a todos com flores, continuem exalando o perfume de rosas quando suores, tentações
e calafrios acometerem, nos 4 anos que se seguem, uma única dessas mãos, a mão que segura a caneta...
e calafrios acometerem, nos 4 anos que se seguem, uma única dessas mãos, a mão que segura a caneta...
domingo, 30 de dezembro de 2012
DE PONTA CABEÇA,
RAPAZ APRENDE
AS MANHAS DA ARTE
DE EQUILIBRAR-SE
RAPAZ APRENDE
AS MANHAS DA ARTE
DE EQUILIBRAR-SE
- Tirei fotos suas usando o zoom da camêra, você se importa?
- Não .
- Qual o seu nome?
- Leo .
- O que você está fazendo?
- Le Parkour .
-Você sabe o que significa a palavra "parkour"?
- Sei, caminho .
PS Agora não que a época de festividades, e o advento da 'Casa do Noel', acabrunhou um certo tipo de público, mas quem passava pela Santo Antonio no domingo à tarde, ali pela altura do Espaco Luís Jardim, talvez já tenha percebido sem se dar conta direito do que finalmente fazem grupos de jovens que estão "dando pulos" por sobre "as coisas", (des)ordenadamente. Eles são na verdade praticantes de um esporte que até para ser chamado de esporte ainda gera controvérsia - o Le Parkour. Esporte, disciplina ou filosofia não vem muito ao caso, o que o 'traceur', ou praticante, quer é sentir-se desafiado, testar seus limites e vencer a si mesmo.
PS Agora não que a época de festividades, e o advento da 'Casa do Noel', acabrunhou um certo tipo de público, mas quem passava pela Santo Antonio no domingo à tarde, ali pela altura do Espaco Luís Jardim, talvez já tenha percebido sem se dar conta direito do que finalmente fazem grupos de jovens que estão "dando pulos" por sobre "as coisas", (des)ordenadamente. Eles são na verdade praticantes de um esporte que até para ser chamado de esporte ainda gera controvérsia - o Le Parkour. Esporte, disciplina ou filosofia não vem muito ao caso, o que o 'traceur', ou praticante, quer é sentir-se desafiado, testar seus limites e vencer a si mesmo.
sábado, 29 de dezembro de 2012
| MONK WATERING GRAVES AT THE MONASTERY CEMETERY |
MONGE AGUANDO COVA NO
CEMITÉRIO DO MOSTEIRO
CEMITÉRIO DO MOSTEIRO
- Tem muita gente enterrada aí?
- Ninguém !!
- Mas como pode ser possível ?!
- Pode sim, antes o mosteiro funcionava como escola, e depois
da mudança ninguém morreu para ser enterrado aqui...
PS A cruz posta no meio e o fatiado de 4 covas com o monge "jardinando" as meninas, achei genial... Gosto sobremaneira quando o inusitado faz noc, noc na minha porta e entra sem fazer biquinho. Era apenas um dia nublado no meio de uns dias muito quentes e muitos secos e eu havia de tirar umas fotos do tempo, apenas... Outra coisas: muita gente vê, talvez intua, mas não sabe ao certo que aquela mancha verde na colina do mosteiro, - uma das poucas áreas verdes resilientes nas colinas da cidade - é parte do mosteiro, sim. Do estacionamento da COMPESA pode-se contemplá-la como se fora uma minifloresta urbana. Aqui pra nós, um luxo nos dias mesquinhos de hoje...
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